Foto: Instituto Juarez Machado

“Eu me chamo François Ferdinand Philippe Louis Marie d'Orléans, sou o Príncipe de Joinville, e vou conduzir vocês nesta trilha do patrimônio. Embora tenha morrido em 1900, sei muita coisa desta rua que mostra a evolução de Joinville. Esta é a minha rua, mas, mais que a rua, fui dono de 25 léguas quadradas das quais doei 8 para a colônia de nome Dona Francisca - irmã do imperador D. Pedro II, recebida como dote por ocasião do nosso casamento em 1843.

 

A nossa trilha tem extensão de 1.200 metros e consta de 10 encontros localizados em algumas esquinas assinalados com um QR code específico. Em cada poderão ser apreciados locais e prédios nos mais diversos estilos arquitetônicos. Estamos no início da rua no lado norte e iremos no sentido sul até a catedral cuja cúpula pode ser avistada daqui.

 

A Rua do Príncipe era antigamente chamada de Ziegeleistrasse (Rua da Olaria), por ter sido o local da primeira fábrica da cidade, justamente a olaria que deu nome à rua. Além disto, também foi o berço de diversas outras empresas, como Milium, Ciser, Minancora e Salfer.”

A Rua Luiz Niemeyer era antigamente conhecida como Kirchengasse, ou Beco da Igreja. Mudou de nome em homenagem a Luiz Niemeyer, que mandou construir este Palacete e era filho de Johann Otto Louis Niemeyer, ex-diretor da Colônia Dona Francisca, atual Joinville. Luiz casou-se com Sophie Dorothea Lepper, filha do comerciante, industrial e político Hermann August Lepper. Por alguns anos, trabalhou na empresa do sogro, localizada na próxima esquina, com a Rua Princesa Izabel. O Palacete Niemeyer, tombado em âmbito estadual, teve a sua construção finalizada em 1906, e serviu de moradia à família por muitos anos. Antes desta construção, este lugar abrigava até então outro prédio, que abrigou a direção da Colônia Dona Francisca, exposições agroindustriais e posteriormente a escola do Padre Carlos, até 1905. Este palacete é um sobrado residencial tipo villa, isto é, localizado no centro do terreno. Apresenta varandas nas faces sul e leste nos dois andares. As vergas das aberturas do térreo são em arco abatido e as do segundo pavimento em arco pleno. Possui diversos ornamentos típicos do estilo eclético-historicista que é um estilo onde se mesclam elementos dos diversos períodos históricos da arquitetura. Um torreão marca sua fachada e é um elemento que pode ser apreciado nas esquinas ao longo da via como no Edifício Eugênio Lepper, Palacete Schlemm e na antiga Farmácia Minancora.

Ao seu lado, em grande contraste, o prédio modernista do Banco do Brasil, construído em 1984, durante a gestão do joinvilense Oswaldo Colin como presidente nacional do banco. O edifício, embora menor, tem a mesma forma e revestimentos da Sede III do Banco do Brasil em Brasília. Este prédio é típico do modernismo, que é um estilo caracterizado por volumes puros, grandes superfícies envidraçadas e ausência de ornamentação. Quatro volumes verticais das caixas dos elevadores revestidos de mármore sustentam outro grande volume totalmente em vidro. Estes grandes volumes, em toda a sua altura, expressam a ideia de grandiosidade e solidez, imagem que um banco deseja transmitir. Este recurso é utilizado, embora em menor escala, no prédio do antigo Banco INCO, que veremos adiante.

Ao lado do Palacete Niemeyer, a oeste, é possível observar uma residência, na Rua Luiz Niemeyer, 160, que foi construída para a família Stamm, descendentes de Luiz Niemeyer. Na fachada da casa, acima da porta principal, é possível observar uma escultura de uma águia com a asa aberta, de autoria atribuída ao artista teuto-joinvilense Fritz Alt. Outras obras do mesmo autor serão observadas ao longo da trilha. Em frente ao Palacete, na esquina, observa-se um edifício em estilo modernista que abriga até o presente momento a Embratel e empresas do grupo. Em direção oeste, avista-se a torre da Igreja da Paz. A igreja foi inaugurada em 1864 e é uma das mais antigas igrejas luteranas em solo brasileiro, sendo tombada como patrimônio histórico catarinense. Sua torre data de 1892, pois durante o império, o culto a outras religiões que não fosse a católica era permitida em âmbito doméstico e em prédios sem forma exterior de templo.

Este encontro da Rua do Príncipe com a Rua Princesa Izabel tem um quê de familiar: ela era sobrinha da Princesa Dona Francisca, que era casada com o Príncipe de Joinville, François Ferdinand Philippe. A Rua Princesa Izabel foi originalmente chamada de Obere Hafenstrasse (Rua do Porto de Cima) e depois Cachoeirastrasse (Rua Cachoeira). É uma das ruas mais antigas e importantes de Joinville. Na nossa frente, no lado leste, o destaque está no edifício Eugênio Lepper, construído pela empresa Enterlein, Keller & Cia e tombado pelo Estado de Santa Catarina. Neste edifício funcionou a empresa de comércio e representações de Affonso Lepper. No andar superior, vivia Eugênio Lepper, primo de Affonso, que por muitos anos comandou o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. A partir da década de 1940, este prédio serviu como rodoviária de Joinville.

Nele pode-se apreciar o seu característico torreão octogonal encimado por uma cúpula metálica e uma grimpa com a data de 1925 - ano de sua construção. O torreão fica em balanço sobre o chanfro da esquina com um volume bem destacado e marcante. O térreo é comercial e o primeiro andar, antes residencial e agora igualmente comercial, com sacadas pela Rua do Príncipe. Possui ainda mansardas que são volumes salientes do plano do telhado com janelas que permitem a iluminação e ventilação do sótão. É um tipo de arquitetura com influência do romantismo alemão com uma rica composição de volumes e simplificação da ornamentação.

Ainda em nossa frente, no lado oeste, observe o prédio atualmente utilizado pela loja Strutura. É um prédio com características do início do modernismo. Com três andares, térreo comercial e demais andares de uso residencial, também marca sua esquina, porém, em vez do uso do torreão, se utiliza de um volume curvo com frisos verticais e leve saliência além da platibanda. Volumes retangulares marcam as sacadas com a utilização de um elemento típico do modernismo que são os cobogós - elementos vazados que formam painéis alternados, configurando dinamismo à fachada

Até a década de 1980, neste lado em que você se encontra e agora ocupado por um estacionamento, funcionou a Confeitaria Dietrich, ponto de encontro das famílias joinvilenses, que tomavam café debaixo de um frondoso flamboyant. Os destaques estavam nos bolos: o inglês e o de morango com nata e suspiros são lembrados até hoje pelas gerações que conheceram este espaço. No mesmo lado do edifício Eugênio Lepper, a leste, encontra-se outro bem tombado em âmbito estadual: a antiga residência da família Freissler (Rua Princesa Izabel, 259). Já seguindo para oeste, na Rua Princesa Izabel, 438 é possível avistar o edifício da Deutsche Schule, ou Escola Alemã, também tombada em âmbito estadual, junto à Igreja da Paz. Antes do próximo encontro, observem o prédio de número 143 da Rua do Príncipe, do qual falaremos adiante.

A Rua XV de Novembro era conhecida como Mittelweg, ou Caminho do Meio, porque no primeiro ano, a Colônia Dona Francisca tinha três estradas rumo ao interior: as atuais ruas Visconde de Taunay (Mathiaspikade, ou Picada do Rio Mathias, e depois Deutschstrasse, Rua Alemã), a João Colin e Benjamin Constant (que formavam uma rua só, a Nordstrasse) e a XV de Novembro. A Rua XV ficava entre as outras duas - portanto, era o caminho do meio.

 

Neste encontro, é possível avistar quatro tipos diferentes de arquitetura. Começamos pela mais antiga, a antiga Farmácia Delitsch e posteriormente Lojas Salfer, à nossa frente, lado oeste. Construído em 1905, abrigou inicialmente a farmácia de Hugo Delitsch, boticário alemão que chegou a Joinville em 1887. Nesta farmácia, trabalhou o fundador da pomada Minancora, o português Eduardo Augusto Gonçalves, quando veio trabalhar em Joinville.

Este edifício, tombado como patrimônio cultural de Santa Catarina, é um sobrado eclético com chanfro marcando a esquina, sacada, pilastras e frontão ladeado por pinhas. Térreo possui aberturas em arco pleno e pavimento superior aberturas em arco abatido com pestanas retas. Friso com dentículos marcam a transição do pavimento superior com a platibanda cega com ornamentos de frontões, pilastras e pinhas.

 

 

Foto: Amor e Canela

Voltando-se para leste podemos observar o prédio da Rua do Príncipe, 143 que atualmente possui duas lojas – Relojoaria Klix e Ótica Mundus. A ocupação deste sobrado eclético por dois estabelecimentos fez com que sua fachada sofresse alterações distintas. No térreo do lado esquerdo e no pavimento superior do lado direito as aberturas foram substituídas por outras de tamanho e forma diferentes e os ornamentos foram removidos. O mesmo ocorrendo na sua platibanda cega.

No final da década de 1970 e início da década de 1980, o então prefeito Luiz Henrique da Silveira passou a incentivar uma nova germanização da cidade, concedendo incentivos fiscais a quem construísse em estilo enxaimel. O que ocorreu foi a construção do falso enxaimel: a técnica construtiva original, que usa a madeira como elemento estrutural com entalhes e encaixes que dispensam o uso de pregos metálicos, foi substituída pelo uso da madeira simplesmente colocada sobre a fachada em um mero elemento decorativo aplicado à fachada nas madeiras cruzadas em “X” (Cruz de Santo André).

 

Na esteira desta onda de germanização, é construído o edifício que aqui se encontra e sediou até 2019 o banco Safra. Podemos classificá-lo como pós-moderno a exemplo de outros existentes na rua. Nota-se o recurso de uso do torreão para marcar a esquina e as mansardas no telhado.

 

 

Foto: E Catarina Pães e Doces

Localizado na esquina diametralmente oposta, o Edifício Koerich também faz uso destes elementos relacionados à cultura alemã, porém de modo mais restrito e localizado. As esquinas são marcadas com chanfro e torreão na forma de um sólido retangular em tijolos com arco pleno no térreo e topo plano. A madeira é utilizada como peça estrutural no guarda-corpo das sacadas e ornamental nos peitoris das janelas. A cobertura é com beirais e telhas cerâmicas tipo rabo-de-castor. Seu formato imita o telhado do antigo Café Ravache, localizado mais adiante com o telhado em quatro águas mutilado - em alemão krüppelwalmdach, que é um telhado típico nas construções antigas da cidade.

No lado oposto, a leste, onde se encontra a farmácia Panvel, funcionou também uma agência do Banco Nacional, posteriormente Unibanco e Itaú. É uma arquitetura com linguagem contemporânea.

Em direção a leste, pode-se avistar o terminal urbano de ônibus, a Praça da Bandeira com seu Monumento ao Imigrante (obra de Fritz Alt, inaugurada em 1951, no ano do centenário de Joinville), o antigo Cine Palácio (inaugurado como Theatro Nicodemus em 1917, primeiro bem tombado em âmbito municipal), o Ginásio Abel Schulz (também inaugurado em 1951) e ao fundo, no pé do morro, a Prefeitura Municipal de Joinville. Observe ainda o Morro da Boa Vista, coberto pela Mata Atlântica, e onde está localizado um mirante.

Em direção a oeste, no número 485, encontra-se o prédio da Sociedade Harmonia-Lyra, também considerado patrimônio histórico estadual, palco de muitos eventos culturais e sociais e de acontecimentos marcantes de nossa história. Mais à frente, na Rua do Príncipe, 226, está o Edifício Pedro Salles, que foi o primeiro prédio da cidade a contar com elevador. Atenção para a fachada do prédio de número 249, que explicaremos no próximo encontro.

 

 

Foto: Restaurante Biergarten

Este é o ponto mais antigo de nossa trilha, uma vez que a Rua Nove de Março é a primeira via pública de Joinville - ligava o pequeno porto, onde desembarcaram os primeiros imigrantes, aos barracões construídos para abrigá-los, em frente de onde hoje está a praça Lauro Müller. A Nove de Março já foi chamada de Jurapepikade (Picada do Jurapê) e Hafenstrasse (Rua do Porto). Atualmente, leva o nome que homenageia a data oficial de fundação de Joinville: 09 de março de 1851.

 

Também aqui diferentes estilos de arquitetura se encontram. O destaque está no antigo Banco INCO, atualmente Palácio dos Calçados, em frente, no lado oeste. Construído por volta de 1930, pela empresa Keller & Cia, o edifício - tombado como patrimônio histórico catarinense - foi construído para o Banco Agrícola e Comercial de Blumenau (BACB), incorporado mais tarde pelo INCO (Banco da Indústria e Comércio de Santa Catarina). Mais tarde, funcionou também neste prédio o BANESTADO (Banco do Estado do Paraná).

Na esquina oposta, outro prédio Art Déco de três pavimentos onde funciona atualmente a loja da Claro. Este, apresenta a esquina arredondada com frisos verticais que se prolongam além da linha da platibanda.

Ao seu lado, na Rua do Príncipe, 249, está o prédio onde funcionou o Café Ravache e o Café Schwochow, além de várias lojas, com destaque para a Casa Coelho, uma das maiores lojas de Joinville nos anos 70 e 80. Embora o térreo tenha sido descaracterizado, o pavimento superior e o sótão mantêm-se íntegros e apresentam uma profusa decoração com capitéis, guirlandas e arabescos. Sob a porta do balcão com balaústres de ferro e caixilharia bem trabalhada surge uma cartela com a data de sua construção – 1920. O telhado em quatro águas mutilado (krüppelwalmdach) é típico nas construções antigas da cidade e serviu de referência para o Edifício Koerich.

Revela na sua forma a imagem que um banco queria transmitir à época: solidez, imponência, segurança. A mesma imagem do Banco do Brasil do Encontro 1, porém em outro estilo. A marcação da esquina desta vez é feita, além do arredondamento, com a supressão do volume formando uma sacada no pavimento superior. O acesso se dá por uma escadaria curva que supera o sólido embasamento, elevando o pavimento térreo. Colunas e pilastras colossais, isto é, que ocupam os dois pavimentos, conferem mais imponência ao prédio e sustentam um coroamento em platibanda cega.

À sua esquerda o prédio de dois pavimentos atualmente ocupado pela loja Club Fashion. Trata-se de uma edificação no estilo Art Déco que surgiu após o ecletismo e se utilizava de uma simplificação da ornamentação e no uso de grafismos geométricos, mas mantendo a composição formal. Isto se pode observar na sua simetria, no chanfro e no volume mais elevado na esquina, nas linhas retas nos frisos e nas vergas e pequenos volumes piramidais como capitéis entre as janelas do pavimento superior. Ao lado deste edifício funcionou por décadas, desde 1881, a Casa do Aço. Esta loja foi a precursora da Ciser Porcas e Parafusos, maior fabricante de fixadores da América Latina.

Na esquina em que nos encontramos, mais um prédio em falso enxaimel com torreões pontiagudos e elementos de madeira decorativos aplicados na fachada.

 

No lugar deste prédio, onde atualmente é a loja Óticas Visão, havia um outro prédio onde funcionou por muitos anos as Casas Pernambucanas.

Na Rua 9 de Março, 462, a oeste, pode ser apreciado um belo exemplar de arquitetura Art-déco. Trata-se do Edifício Adelaide Schlemm com suas superfícies curvas, principalmente as sacadas.

 

Observe no caminho para o próximo Encontro, na Rua do Príncipe, 315 um edifício pós-moderno que, com seu vidro com película azul, contrasta com as demais construções da via e, no número 330, a galeria e o Edifício Manchester.

Neste encontro, estamos defronte à Rua Jerônimo Coelho, a antiga Parisstrasse, ou Rua de Paris, nome dado por Frederico Brüstlein, procurador dos príncipes, que foi quem mandou abrir a rua.

 

O destaque deste encontro é o Palacete Schlemm, edificado para ser hotel e residência da família de Jorge Schlemm. Nascido em Joinville, mudou-se para São Bento do Sul, onde foi comerciante e fazendeiro, e ocupou brevemente o posto de prefeito daquela cidade. Mandou construir este prédio, cuja obra iniciou em 1930, pelas mãos do construtor Roberto Miers. O edifício, que possui detalhes em relevo assinados pelo artista Fritz Alt, é tombado como patrimônio cultural catarinense.

Mais a Norte, encontra-se o Edifício Manchester, que já foi o maior prédio em área construída de Santa Catarina. Foi inaugurado em 1970, edificado pela construtora COMASA, e abrigou a Associação Empresarial de Joinville. Com 14 pavimentos, possui uso misto - residencial e comercial.

 

Sua arquitetura é tipicamente modernista em uma composição de dois volumes prismáticos: Um volume de base com dois andares de uso comercial com pilares que revelam seu rígido esquema estrutural e um andar intermediário com elementos vazados (cobogós). Acima deste, um volume menor da torre com faixas horizontais de vidro das janelas. Uma galeria comercial perfura o centro do volume inferior unindo as duas vias e configurando um espaço semi-público.

Situado junto à praça, o edifício construído no fim da década de 1930 para abrigar a Empresa de Correios e Telégrafos atualmente sedia o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Joinville - IPREVILLE. Já foi sede da Secretaria de Turismo e Fundação Cultural de Joinville. No último pavimento, havia também um heliponto. Também tombado pelo Estado, tem arquitetura no estilo Art Déco, na vertente streamline moderne que se utiliza, na composição, de volumes puros e arredondados, aerodinâmicos e de inspiração náutica reforçado na utilização do metal nas esquadrias e nos guarda-corpos.

Construído em estilo eclético, em três pavimentos mais o sótão, se apresenta com um clássico e elegante torreão de base e cúpula octogonal em um corpo saliente na esquina onde o nome do edifício está escrito em alturas decrescente e crescente acompanhado o espaço deixado pela mísula de sustentação do volume. As aberturas são em verga reta no térreo e no primeiro andar, com os cantos curvos no segundo andar e com os cantos chanfrados nos frontões do sótão. Esta variedade de elementos se aplica também aos ornamentos como gregas, guirlandas, festões, frisos denticulados e no uso de sacadas no primeiro andar e nos frontões do sótão. Os frontões recebem efígies da mitologia romana: Mercúrio, o deus do comércio pela Rua do Príncipe encimando um cartel com o monograma JSF (Jorge Schlemm & Filhos) e a data 1930 e, pela Rua Jerônimo Coelho, Minerva, a deusa da sabedoria com monograma JSF, desta vez entrelaçado. Na sua restauração, a colocação da marquise de metal e policarbonato e a inserção discreta do aparato publicitário permitem uma leitura adequada do edifício.

A própria praça Nereu Ramos é também um marco no urbanismo de Joinville. Tem o atual formato desde a década de 1940, e ganhou o nome em homenagem ao ex-governador e ex-presidente Nereu Ramos, morto em 1958. Ela já sediou a Prefeitura Municipal, localizada em frente ao atual número 405, além de ter tido um grande palco e muitas árvores. Atualmente ainda recebe eventos culturais e sociais. O fato peculiar é que é uma praça surgida da demolição de edificações que criou este espaço aberto e público. Na sua extremidade norte, ao lado do prédio do Ipreville existiu o chamado Altar da Pátria que era constituído de uma plataforma elevada para uso durante os desfiles cívicos.

 

Em frente à praça, na esquina com a Rua Jerônimo Coelho, localiza-se o edifício Cedros do Líbano, com um desenho em baixo relevo das árvores que dão nome ao prédio. Seu primeiro proprietário, o libanês Dr. Sadalla Amin Ghanem, fundou em Joinville um hospital de olhos que leva seu nome, além de ter se empenhado diretamente na construção da atual Catedral e do estádio do América Futebol Clube. É um edifício modernista de uso misto. Térreo comercial e apartamentos residenciais nos outros dois andares. Com de volumes puros e linhas retas se utiliza de elementos vazados na composição das fachadas e aberturas regulares.

O edifício do Hotel Colon, situado no lado oeste da praça, compõe com o Edifício Manchester um cenário modernista. Inaugurado no fim da década de 1960, um pouco antes do vizinho, o hotel tem seu nome em homenagem à barca de mesmo nome, que trouxe os primeiros imigrantes a Joinville. Além do hotel, possuía um amplo cinema nos fundos, destruído por um incêndio em 1983. Inicialmente, o último andar sediava um restaurante panorâmico e a cozinha do hotel. Porém, os costumes da época forçaram uma alteração: como não era de bom tom que os namorados fossem para o último andar sozinhos, o restaurante foi deslocado para a sobreloja, onde funciona até hoje. Segundo a proprietária Rosicler Dedekind, dessa forma o acesso poderia ser feito sem passar pela recepção do hotel, preservando assim "a reputação" dos jovens. O volume superior foi transformado em unidades e teve suas aberturas e cobertura modificadas.

Neste encontro, estamos na esquina com a Rua Engenheiro Niemeyer (antiga Ludwigstrasse, ou Rua Ludovico), que homenageia o precursor da família Niemeyer em Joinville, Johann Otto Louis Niemeyer, engenheiro e militar que ocupou o cargo de diretor da Colônia Dona Francisca.

 

Na esquina com a Rua Eng. Niemeyer, está situado o prédio construído por encomenda do Sr. Abdon Baptista, que além de possuir empreendimentos industriais e serviços, como navegação e jornal, ocupou vários cargos políticos: foi prefeito, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador em exercício e senador. O edifício é tombado como patrimônio cultural de Santa Catarina, e foi construído na primeira década do século XX. Abrigou também o Banco do Brasil e a financeira Fininvest.

Na Rua do Príncipe, nos números 405 e 415, encontram-se dois edifícios que parecem um só. O do número 405, que agora abriga a farmácia Preço Popular e outro comércio, foi construído em 1925, pelo construtor Max Miers, tendo como primeiro proprietário o Sr. José de Paula Souza. Já funcionou no local o Bazar Nippon e o Supermercado Riachuelo. Para o mesmo proprietário e pelas mãos do mesmo construtor, foi feito o edifício do número 415, em 1927, com estilo similar, onde hoje se encontra a loja Casa China.

Este conjunto eclético, inicialmente harmônico, e com os mesmos princípios compositivos do prédio Abdon Batista, foi perdendo sua unidade com sucessivas alterações na sua fachada. O térreo do número 405 foi totalmente e desnecessariamente destruído, visto que o de número 415 mantém suas portas originais e não impede o seu uso comercial. Além disso, foi construído, no seu lado esquerdo, um volume visível da fachada e no lado esquerdo foram trocadas as janelas do andar superior. Uma restauração restabeleceria sua unidade e seu valor arquitetônico e urbanístico obtido quando da construção do prédio de número 415 que respeitou e se integrou ao de número 405.

É um típico sobrado comercial urbano de esquina no estilo eclético. De composição simétrica vertical a partir do eixo da esquina arredondada e horizontalmente tripartida em base, corpo e coroamento. A base incorpora o sóculo - cujas gateiras revelam o antigo piso em madeira com porão ventilado - ao piso térreo que recebe um tratamento rusticado e falsa estereotomia como se fosse construído com grandes blocos de pedra. As aberturas são em arco pleno com folhas e bandeiras em ferro emolduradas por frisos com colunetas com capitel compósito e chave do arco com mascarão. O corpo é constituído pelo andar superior e possui janelas em verga reta com falsos balcões metálicos levemente curvados. Frisos emolduram as janelas e pilastras marcam o ritmo entre elas. Cada pilastra tem na sua parte inferior um losango que é uma forma muito utilizada no período do positivismo e na maçonaria como símbolo do feminino. O coroamento feito pela platibanda ornamentada com painéis e frisos lisos e com dentículos, infelizmente perdeu seu conjuntos escultóricos que estava colocados na esquina e seus pináculos nas suas extremidades. Uma placa na face voltada à praça assinala o Jardim Nereu Ramos, seu nome original.

Ao lado do número 415, encontra-se a Galeria das Palmeiras, mais um exemplar do Pós-Modernismo encravado entre dois prédios históricos e tombados.

Um dos cartões postais principais de Joinville é a Rua das Palmeiras, nome pela qual é conhecida a Alameda Brüstlein. A via foi tombada pelo Município em 2005, por sua importância histórica e paisagística.

 

As 56 primeiras palmeiras foram plantadas no local a pedido do procurador dos príncipes, Frederico Brüstlein, em 1873, com mudas criadas a partir de sementes vindas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A escolha da árvore foi um agrado ao príncipe de Joinville, que havia declarado em sua primeira visita ao Brasil, em 1838, que o coqueiro seria sua árvore favorita. Desde 1961, novas palmeiras foram plantadas, tanto para repor algumas que morreram, quanto porque a vida útil das palmeiras-imperiais é de até 200 anos - assim, Joinville não ficará sem seu cartão postal quando lhes chegar a hora.

Na esquina norte, encontra-se o edifício da antiga Farmácia Minancora. Foi neste prédio que se localizavam a residência, a farmácia e a fábrica das nacionalmente renomadas pomadas Minancora, de propriedade do fundador da empresa, o comendador Eduardo Augusto Gonçalves. Ele chegou ao Brasil no início do século XX, e como farmacêutico formado na Universidade de Coimbra, passou a investigar a flora brasileira.

 

Em 1912, desenvolveu a fórmula que chegaria até os dias de hoje. Em 1929, Eduardo Gonçalves manda construir este prédio para abrigar sua residência, farmácia e laboratório. O prédio, tombado em âmbito estadual, foi construído pela empresa Keller & Cia, com projeto de autoria do arquiteto Georg Keller.

Este prédio, por sua localização, importância histórica e arquitetura, é um ícone da cidade. Seu estilo é eclético, mas já com traços modernistas, tais como a composição dos volumes e uma ornamentação mais discreta. Seu elemento de maior destaque é seu torreão marcando a esquina. Os beirais são interrompidos acentuando a sua verticalidade. No térreo, a esquina em chanfro abriga a porta principal em arco pleno e bandeira com caixilharia com elementos curvos. Acima desta uma mísula escalonada sustenta o volume do torreão que tem um friso denticulada na sua parte inferior. Três janelas verticais com bandeira se alinham com os óculos ovais emoldurados por guirlandas no terceiro nível. Pilastras marcam as arestas que se prolongam formando pilaretes da sacada circular do último nível.

 

Neste um corpo menor recuado é encimado por uma cúpula metálica octogonal em três estágios e um pináculo coroa todo o volume. As demais esquadrias são em verga reta com bandeira e trabalhadas em composições variadas de retas, curvas, ovoides e losangos. Pilastras sem interrupção por frisos horizontais marcam o ritmo entre as aberturas juntamente com medalhões quadrados. O beiral é curvo em estuque e o telhado possui pequenas mansardas. Na face oeste, pela Rua do Príncipe, apresenta um toldo em estrutura metálica e sacada. A ampliação recebida segue o mesmo alinhamento e altura e o mesmo tratamento da fachada e esquadrias com a adição de uma mansarda com três janelas e pequeno frontão triangular.

Na esquina sul, o imóvel da família Richlin, construído em 1932, pelo mesmo arquiteto Georg Keller, embora em estilo marcadamente diferente. Na fachada, no alto, pode-se observar a inscrição G.R., que são as iniciais de Gustavo Richlin. Seguindo-se pela Rua do Príncipe, percebe-se que o prédio foi ampliado duas vezes, ocupando atualmente toda a frente de quadra. Na primeira ampliação, as iniciais A.R. indicam que o proprietário era Adolfo Richlin, filho de Gustavo. Na segunda ampliação, que segue até a esquina com a Rua 3 de Maio, notam-se as iniciais W.G.R., para Werner Gustavo Richlin, filho de Adolfo, junto com o ano da obra: 1991.

 

Além das inscrições acompanhadas dos respectivos anos, duas particularidades podem ser observadas neste edifício: a mão-francesa que sustenta o toldo tem um desenho que é idêntico ao da mão-francesa do prédio da antiga Farmácia Minâncora, indicando que houve ou uma aquisição conjunta, ou um vizinho inspirou-se no prédio do outro. A segunda particularidade diz respeito à comunicação visual exemplar, sem a poluição visual observada em prédios vizinhos. Aqui, ela já segue o padrão indicado para prédios tombados - como é o caso deste, tombado também como patrimônio estadual.

Este prédio, mesmo com suas sucessivas ampliações em períodos distintos manteve sua unidade. O primeiro prédio de 1932 reconhece e marca a esquina com uma porta em arco pleno com bandeira ladeado por duas semi-colunas que terminam em mísulas que sustentam a sacada com gradil de ferro. As esquadrias são em verga reta e pilastras marcam o ritmo da fachada que recebe ornamentos mais simples e geométricos. A primeira ampliação foi de um volume mais alto que faz a transição para a ampliação de 1991 onde, com a mesma altura do prédio de 1932, são construídos três andares e não dois, o que revela um pé-direito menor e aberturas mais horizontais ocupando toda a área entre os pilares. A outra esquina também é chanfrada, porém sem maiores adornos. O telhado com beirais e em múltiplas águas finaliza a unidade do conjunto.

No outro lado da rua, o imóvel de número 458. foi construído entre 1906 e 1910 e sediou a residência e a relojoaria de Friedrich Müller. Ao longo dos anos, recebeu uso comercial diverso. É também tombado pelo Estado de Santa Catarina.

 

Este sobrado segue o alinhamento de altura e o mesmo estilo do prédio vizinho, o antigo escritório de Abdon Baptista. É um prédio eclético, simétrico, de cinco janelas com arco abatido e pestanas retas, sendo que a central possui um balcão com gradil metálico. O térreo foi totalmente descaracterizado, porém o andar superior mantém sua originalidade com seus cunhais marcados e a platibanda com arcaturas. A exemplo de seu vizinho, não possui mais os jarrões que adornavam sua platibanda.

Na esquina seguinte, com a Rua Jacob Richlin, o edifício Colon, prédio em dois pavimentos com marquise em concreto em toda sua extensão que reforça sua horizontalidade. Como outros da mesma rua, chanfra a esquina e cria um volume destacado mais alto. A platibanda com seu friso e capeamento com telhas cerâmicas capa-e-canal e suas grades de madeira torneada da bandeira da porta de acesso ao pavimento superior, assim como os balaústres da escada revelam uma influência da arquitetura hispânica que se convencionou chamar de estilo californiano, estando muito em voga nos anos 1940 e 1950. Seguimos agora pela Alameda Brüstlein, inicialmente uma alameda que dava acesso à Maison Joinville. Já teve diversos usos e desenhos como via para veículos e jardim. No meio da via, o busto da Princesa Dona Francisca foi esculpido por Fritz Alt, sendo a sua primeira obra pública, inaugurada em 1926.

Estamos sobre a Alameda Brüstlein, o acesso da Maison Joinville, que sedia o Museu Nacional de Imigração e Colonização, também conhecida como Palácio dos Príncipes. Este edifício foi construído em 1870 pelo construtor Friedrich Müller, a pedido do procurador dos príncipes, Frederico Brüstlein.

 

Ele recebera a informação de que os príncipes teriam vontade de visitar as suas terras em Joinville, e então encomendou um projeto arquitetônico da França e tratou de mandar construir uma casa que considerava à altura da realeza. Foi tombado em 1939 pelo SPHAN, precursor do atual IPHAN, como patrimônio cultural brasileiro. É o segundo bem tombado em solo catarinense e um dos mais antigos tombamentos brasileiros, já que o SPHAN foi criado apenas dois anos antes, em 1937.

Em 1961, o Museu Nacional de Imigração e Colonização foi aberto, após ter sido criado oficialmente pelo Presidente Juscelino Kubitschek por meio da Lei 3.188, de 02 de julho de 1957. Seu acervo é composto de móveis, utensílios, documentos, obras de arte, veículos, máquinas e objetos em geral que retratam o cotidiano dos imigrantes que vieram para Joinville.

Esta imponente mansão situada no ponto focal da grande alameda, se apresenta como uma composição simétrica, desconsiderando os acréscimos posteriores e telhado em duas águas com a cumeeira paralela ao alinhamento. Possui três pavimentos – térreo, superior e sótão, e um amplo jardim. Apresenta varandas nos piso térreo e superior em três dos seus lados. No terceiro andar, do sótão, possui ainda no lado do oitão uma loggia que é um espaço aberto e coberto ornamentada com lambrequins. Caracterizando-se, assim, como uma arquitetura adequada aos trópicos. A varanda do térreo se apresenta com sete arcos, sendo os cinco centrais em arco pleno e os extremos em arco ogival. A varanda dos piso superior é encimada com um friso em verga reta em toda a sua extensão com guarda-corpos em madeira. No centro a varanda avança configurando um espaço próprio para observação e manifestações tais como discursos. No andar do sótão sobressai-se do telhado um corpo central com uma bífora (janela dupla) em arco pleno. Pilastras duplas em cada lado sustentam um frontão triangular. Mais afastadas surgem uma pequena mansarda em cada lado do frontão.

Em seu lado direito foi construído um anexo em dois andares com telhado em duas águas no sentido contrário ao corpo principal e no mesmo alinhamento. Ainda no mesmo terreno, em seu lado direito, porém mais afastado foi edificado um pequeno chalé com telhado em duas águas que apresenta delicados adornos em serra-de-fita nos lambrequins e nos guarda-corpos, que atualmente abriga o auditório do Museu.

Na esquina com a Rua Três de Maio, fazendo fundos para a Rua das Palmeiras, encontra-se o prédio do antigo Hotel Mueller, construído no início do século XX, e que mais tarde abrigou a oficina automotiva de Jorge Hoffmann. Em direção ao Norte, na Rua Rio Branco, 105, avista-se a casa da família Beckmann, construída em 1923 pela construtora Keller e Cia, tombada pela Prefeitura de Joinville como patrimônio cultural do Município.

A Rua Padre Carlos, antiga Schulstrasse (Rua da Escola), leva esse nome em homenagem a Carlos Boegershausen, primeiro vigário de Joinville. Vindo da Alemanha em 1857, o Padre Carlos foi uma figura importantíssima em Joinville, tanto nas questões ligadas à igreja, mas especialmente como educador - ofício que empreendeu com afinco por décadas. Sua escola, mais tarde transformada em Prefeitura Municipal, ficava situada nesta rua e foi demolida para a abertura da Avenida Juscelino Kubitschek.

 

No outro lado da rua, na esquina oeste, impõe-se o prédio do antigo Clube Joinville, agora Nova Casa Sofia. Construído em 1913, era sede de encontros sociais e culturais dos cidadãos luso-brasileiros, como ficaram conhecidos os não-descendentes de alemães. Além de bailes, carnaval e reuniões políticas, o clube possuía uma ampla biblioteca e sala de jogos. Na década de 1960, fundiu-se com o Tênis Clube Boa Vista e, juntos, deram origem ao Joinville Tênis Clube. O edifício, construído por Francisco Nicodemus, é tombado como patrimônio cultural catarinense.

Este prédio eclético tem forte presença urbana, quer seja por seu porte e arquitetura, quer seja pela sua localização como ponto focal da Rua do Príncipe, justamente na sua inflexão. Outro fato a ser destacado é a sua representação. Como clube dos luso-brasileiros sua arquitetura se distingue dos prédios de sociedade de descendentes de alemães. É um imponente prédio de dois andares com doze aberturas pela Rua Padre Carlos e cinco pela Rua do Príncipe, todos em arco pleno no piso térreo e no superior. No piso térreo foram retiradas as esquadrias, porém mantidos os vãos.

 

No piso superior continuam as janelas de abrir com bandeira fixa, molduras e chave do arco e falsos balcões curvos com balaústres. Um friso marca a platibanda que é decorado em uma sucessão de medalhões e mísulas que sustentam um pequeno friso com pináculos nas extremidades. Na sua readequação para uso comercial, foi criada uma circulação interna, a ampliação em pele de vidro ficou bem marcada e foram utilizadas letras-caixa para a identificação da loja, o que preservou a integridade do prédio.

Um pouco antes deste ponto, na esquina com a Rua Três de Maio, avista-se o prédio da Caixa Econômica Federal. O prédio modernista da Caixa se utiliza do recurso de criar um grande volume formado por brises-soleils que são elementos verticais que produzem sombra e permitem a ventilação, seguindo o princípio funcionalista do movimento. A esquina em que o prédio se localiza está orientada para as faces norte e oeste, onde a incidência solar é mais forte. Por estar localizado na inflexão da rua, este terreno tem um ângulo agudo na esquina.

O projeto estabelece o alinhamento para o térreo seguindo o alinhamento do início da rua e o alinhamento do piso superior e dos brises seguindo o alinhamento do final da rua. Com isso, cria-se um amplo espaço público protegido e sombreado. Além disso, o desenho com diversas alturas e espessuras dos brises cria um efeito de ondas na fachada que muito contribui para sua qualidade estética

Na esquina com a Rua Marinho Lobo, o edifício que outrora foi a casa da família Hagemann também é tombado como patrimônio histórico de Santa Catarina. Foi construído em 1919 por Alberto Nicodemus. A Sra. Jutta Hagemann, ex-moradora da casa, dizia que morava “na divisa do Brasil com a Alemanha”. A memória alude ao fato de que, majoritariamente, os descendentes de portugueses moravam daquele ponto ao Sul, ao passo que os descendentes de alemães estavam mais concentrados para o Norte.

Trata-se de um prédio eclético de uso misto – comercial no térreo e residencial no pavimento superior. Também apresenta um ângulo agudo na esquina o que foi resolvido com a construção de uma varanda que serve de acesso ao andar superior. Esta varanda, posteriormente foi incorporada à loja, mas ainda é perceptível nas suas três aberturas voltadas para a Rua Marinho Lobo, uma das quais fechadas com alvenaria e as outras duas com esquadrias metálicas. As aberturas combinam vergas de arco pleno no acesso da esquina e em arco abatido nas demais aberturas do térreo. No piso superior as aberturas centrais são em verga reta e as demais em arco de três centros, sendo que na Rua do Príncipe existe uma pequena sacada sustentada por três mísulas. Apresenta-se profusamente decorada com molduras nas aberturas, frisos e dentículos. No centro de cada platibanda, ocorre um corpo mais elevado com frisos verticais no centro e perfil curvo voltado para cima com globos nas extremidades. Pináculos ornam cada cunhal do prédio. O destaque deste prédio fica por conta do primoroso trabalho das portas e janelas com uma rica composição de linhas retas, curvas, diversos tamanhos de caixilhos e tipos de vidro, coloridos e incolores.

No caminho para o próximo e último encontro, observe no lado esquerdo, no número 685, a antiga Pharmácia Vieira, estabelecimento comercial de Sérgio Vieira, construído em 1920. Junto com a Minancora, de Eduardo Augusto Gonçalves, e o estabelecimento de Hugo Delitsch, completava o rol de farmácias da Rua do Príncipe.

 

Este prédio térreo eclético, em verdade dois unidos por uma cimalha comum, apresentam uma composição clássica e simétrica considerando um eixo vertical no centro das portas de acesso e frontões. Horizontalmente a fachada é tripartida em embasamento, corpo e coroamento. O embasamento é o pequeno sóculo. O corpo é definido por três pilastras, duas nas extremidades e uma quase ao centro do conjunto. As pilastras se compõem de base, fuste e capitel, neste caso de inspiração jônica com suas pequenas volutas. O coroamento se divide em cimalha e platibanda. A cimalha – que unifica o conjunto consta de arquitrave, friso e cornija com dentículos. Pequenas mísulas e ornamentos marcam o ritmo da fachada. A platibanda é cega com frontões curvos ao centro, tendo no módulo da esquerda a inscrição Pharmacia Vieira 1920 e no da direita um ornamento com volutas. Na direita, as aberturas são em verga reta com bandeira e festões na parte superior, enquanto na esquerda tem uma verga de desenho particular como um acortinado.

Na Rua Padre Carlos, na esquina com a Avenida JK, encontra-se a casa de Arnaldo Moreira Douat, ex-prefeito de Joinville e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. O edifício é tombado pelo município. Mais à frente, na mesma direção, é possível observar a torre do Corpo de Bombeiros Voluntários, que abriga também o Museu Nacional dos Bombeiros Voluntários. Sob a catedral, encontra-se a loja matriz da rede Milium, que hoje conta com mais de 70 estabelecimentos em Santa Catarina e no Paraná.

A Rua Abdon Batista foi batizada assim em homenagem ao seu morador mais célebre: o prefeito, deputado estadual e federal, senador e vice-governador Abdon Baptista, que residia onde hoje localiza-se o Edifício Hannover. Outrora, já foi conhecida como Untere Hafenstrasse (Rua do Porto de Baixo), Wasserstrasse (Rua da Água) e Rua Conselheiro Mafra. Um pouco mais ao sul deste ponto, ficava a olaria que deu nome à Rua do Príncipe: Ziegeleistrasse, ou Rua da Olaria. Foi a primeira indústria joinvilense, criada em 1851.

 

O principal edifício deste encontro é a catedral. Em 1933, a comunidade católica entendeu que era necessário ampliar o espaço da igreja, que estava pequena para o crescente número de fiéis, mas as discussões sobre o projeto se estendiam sem uma conclusão. Com a chegada do bispo Dom Gregório Warmeling, em 1957, a nova catedral ganhou ao mesmo tempo impulso e novo sentido, com mudança no estilo do projeto. Foi construída a partir de 1960, num projeto modernista do arquiteto francês radicado em Curitiba, Rene Marie Felix Mathieu, e pela Construtora Marna do engenheiro Felipe Arns, sobrinho do Cardeal Arns. A catedral ficou pronta em 1977. A inauguração do campanário, contudo, ocorreu apenas em 2005.

O principal templo católico da cidade possui 20 vitrais que mostram uma caminhada teológica, demonstrando a evolução da criação. Suas duas conchas sobrepostas simbolizam as mãos de Deus cobrindo a ação da Igreja. Possui 12 colunas simbolizando os apóstolos e duas grandes colunas que se encontram, representando a bíblia, a tradição: é a presença de Jesus Cristo.

 

O arrojado projeto modernista da catedral é reflexo desta época do final dos anos 1950 quando a Igreja Católica estava em renovação se preparando para o Concílio Vaticano II que alterou o rito da missa e previu uma maior participação dos fiéis. Ao mesmo tempo era a época da construção de Brasília cuja catedral já estava construída desde 1958.

Seus elementos mais marcantes externa e internamente são as duas cúpulas nervuradas realizadas em concreto armado. O projeto moderno do novo espaço sacro não deixa de atender às funções tradicionais de um templo católico. Assim, reconhecemos o átrio, que é o grande espaço, ainda no exterior, coberto por uma casca de concreto de dupla curvatura e sustentada por delgadas colunas; o nártex que é o vestíbulo localizado sob o coro; o próprio coro acima e em volta do acesso; duas capelas laterais em grandes cilindros iluminados através de elementos vazados sendo que a capela do lado do evangelho (lado esquerdo de quem entra) é reservada ao batistério; a nave que é o local dos fiéis, com piso inclinado em direção ao altar e coberta pela primeira cúpula nervurada com 14 gomos e com formato de três quartos de círculo. Os pilares que a sustentam tem formato de cruz com secção crescente; o presbitério, onde se localiza o altar e os oficiantes da missa, coberto por uma cúpula menor apoiada em um arco visível desde o piso. Esta cúpula é mais alta gerando um desvão orientado para o sul por onde penetra luz que ilumina o altar.

O recurso do uso da luz também é utilizado nos vinte vitrais coloridos em todo seu entorno de autoria de Lorenz Heilmair, executados em São Paulo e que contam a dinâmica evolutiva do teólogo francês Teilhar de Chardin desde a criação do mundo ao surgimento de Jesus Cristo. Aos fundos existe ainda a Capela do Santíssimo, área administrativa e a cripta no subsolo. A catedral por sua função também cultural, conta com espaços para coros e orquestras em vários níveis unidos por rampas o que justifica as poltronas de teatro da marca CIMO, que possuía fábrica em Joinville.

Nesta esquina com a Rua Abdon Batista, encontra-se uma agência do Banco Bradesco que se utiliza de elementos da cultura germânica em um prédio moderno. Composto de dois volumes todo em tijolos com volumes simples.

 

O volume inferior maior, no alinhamento das vias com arcos plenos e esquina curva. Mais recuado o segundo volume com um grande telhado cerâmico em duas águas, falso enxaimel em aplicações na fachada e aberturas em verga reta.

Um pouco à frente, na Rua do Príncipe, está localizada a Casa Dingee, construída em 1920 pelo arquiteto A. Roch para ser residência e comércio do seu primeiro proprietário, o Sr. Henrique Alves Dingee. O prédio era a sede de uma prestigiosa sapataria, reconhecida pela qualidade de seus produtos. Abrigou recentemente choperia e danceterias.

 

Este belo sobrado eclético é ricamente decorado. Seu corpo principal apresenta no térreo frisos horizontais e aberturas com cantos curvos. Acima destas, adornos de guirlandas tendo uma a inscrição Casa Dingee. No mesmo prumo sacadas sustentadas por mísulas apresentam guarda-corpo com elementos vazados, o que ainda não era comum na época. As portas que dão para estas sacadas possuem o formato de ferradura com divisão em três partes, porta com bandeira com filhos coloridos ao centro e duas pequenas janelas laterais. No mesmo alinhamento, já na platibanda nichos em forma de concha abrigam ornamentos fitomórficos que, com a interrupção da cornija se derramam pelo friso. Vários outros ornamentos compõe a fachada que é coroada por dois jarrões nas extremidades da platibanda.

Na Rua Abdon Batista, 89, situa-se a Villa Amazilda, edifício com mais de cem anos, construído no fim da década de 1910. Amazilda Baptista, filha de Abdon Baptista, casou-se com o pernambucano José Wanderley Navarro Lins, que construiu a casa imediatamente ao lado da casa do sogro. Posteriormente, a casa foi comprada por Adhemar Garcia, também industrial e político, que era cunhado de um dos filhos do casal Navarro Lins. Também este imóvel é tombado como patrimônio histórico estadual. Seguindo pela Rua do Príncipe, a fachada do prédio de número 839, antiga propriedade de Henrique Douat, esconde um bem tombado, localizado nos fundos da edificação: uma parede enxaimel com três pavimentos, única na cidade. Um pouco mais à frente, no número 860, está o Edifício Salfer, onde nasceu a primeira unidade das Lojas Salfer, uma rede de lojas de eletrodomésticos e móveis que chegou a ter mais de 100 lojas. Foi vendida para a Ricardo Eletro, que deixou de utilizar a marca Salfer.

Realização:

Apoio:

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